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Esportes

Torcedor da seleção há 20 Copas, Seu Simão, 91 anos, aposta no hexa

Quando a Seleção Brasileira entrar em campo nesta segunda-feira (29) contra o Japão, abrindo o mata-mata da Copa do Mundo, um torcedor especial estará sintonizado na TV. Aos 91 anos, o piauiense Simão Ribeiro da Silva — pioneiro da construção de Brasília, eletricista e diácono — se prepara para testemunhar a sua 20ª Copa do Mundo. Do rádio de válvula que anunciou a "tragédia" de 1950 ao "cineminha" que montou na rua para ver o tricampeonato em cores em 1970, Seu Simão atravessou quase um século

Fonte: Renato Ribeiro - Repórter da Rádio Nacional29 de junho de 2026 às 16:310 visualizações
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Torcedor da seleção há 20 Copas, Seu Simão, 91 anos, aposta no hexa
Foto: Agência Brasil
Quando a Seleção Brasileira entrar em campo nesta segunda-feira (29) contra o Japão, abrindo o mata-mata da Copa do Mundo, um torcedor especial estará sintonizado na TV. Aos 91 anos, o piauiense Simão Ribeiro da Silva — pioneiro da construção de Brasília, eletricista e diácono — se prepara para testemunhar a sua 20ª Copa do Mundo. Do rádio de válvula que anunciou a "tragédia" de 1950 ao "cineminha" que montou na rua para ver o tricampeonato em cores em 1970, Seu Simão atravessou quase um século de paixão pelo futebol e faz uma aposta otimista: o hexa vem.

"Nós já tivemos Copa assim, a turma foi assim meio desacreditada e depois levantou a moral. Mas eu acho que eles estão escolhendo muito bem. Os caras estão bons. Primeiro, eles não devem nada a eles lá. Não vai ter para ninguém não. O hexa vem”, crava o torcedor, que hoje vive em Sobradinho (DF).

Pai de sete filhos, com mais de dez netos e vinte bisnetos, ele nasceu em Cristino Castro (PI). Seu Simão acompanhou não só a evolução dos times, mas da tecnologia para acompanhar e torcer pelo futebol brasileiro. Ele conta que as transmissões pelo rádio, nas décadas de 1950 e 1960, mexiam com a emoção e a imaginação.   

“Tinha os locutores de rádio que começavam a badalar: bola passou para fulano, beltrano, passou para Jairzinho, Jairzinho fez isso e é gol! E aí aquela alegria de todo mundo. Agora não, você vê, não precisa ninguém nem falar nada. Naquele tempo era a sensação da voz, do som, era pelo ouvido que a gente vibrava, gritava, fazia festa”.

Decepção de 1950

Foi pelo rádio, quando trabalhava nos garimpos no Piauí, que ele ouviu a derrota do Brasil para o Uruguai por 2 a 1, no Maracanã, no Rio de Janeiro, na final da Copa de 1950.  

“Eram aqueles radinhos de válvula, de capa de madeira. Não era todo mundo que tinha, a pessoa muitas vezes tinha um rádio numa loja, e aqueles que tinham também não gostava que ninguém ficasse lá escutando".

Ele lembra que foi uma "calamidade" para os torcedores que apostavam em uma vitória em casa. 

Tri em cores 

Se hoje é praticamente inimaginável acompanhar a Copa do Mundo sem imagens em alta definição e cores vibrantes, no Mundial de 1970, também no México, Simão era um dos poucos que tinha televisão em cores na cidade. Os amigos e vizinhos iam para a casa dele para assistir às partidas.

E viram, pela primeira vez direto de uma TV a cores, o tricampeonato mundial do Brasil com Pelé, Jairzinho e Tostão.   

“Em 60, já era pela TV, mas quase ninguém tinha o aparelho. A TV também era preto e branco, ninguém via direito e as antenas não pegavam, era só a sombra muitas vezes. Quando pegava uma televisão limpinha, já era uma farra", lembra

Ele conta que no Mundial de 1970, faltava espaço em casa para ele poder sentar e assistir à partida.

"No próximo jogo, botei a televisão lá fora de casa na rua, botamos uns bancos, cadeira, cada um trazia e sentava e fez um cineminha. E afinal foi fantástico, né? Fizeram a vibração só. Era farra mesmo”, relembra.

O Brasil é o maior campeão das histórias das Copas do Mundo da Fifa. A única seleção pentacampeã ergueu a taça em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. 

Ouça a reportagem completa na Radioagência Nacional
 


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