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Economia

CNI mantém projeção de alta de 2% do PIB para este ano

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) brasileiro para este ano. A estimativa consta no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22).  A entidade prevê que a economia deve continuar avançando em ritmo moderado, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços. Notícias relacionadas: FMI elev

Fonte: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil22 de julho de 2026 às 17:380 visualizações
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CNI mantém projeção de alta de 2% do PIB para este ano
Foto: Agência Brasil
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) brasileiro para este ano. A estimativa consta no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22). 

A entidade prevê que a economia deve continuar avançando em ritmo moderado, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços.

Apesar do cenário positivo para alguns segmentos, a confederação alerta que juros elevados, inflação persistente, custos de produção mais altos e o aumento das importações devem limitar uma recuperação mais robusta da atividade econômica.

Em nota, o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou que o crescimento continuará sustentado pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Segundo ele, a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais permanecem como entraves para uma expansão mais acelerada.

Inflação

A CNI também revisou para cima a projeção da inflação para este ano. A expectativa é de que alimentos, combustíveis e a inflação de serviços mantenham pressão sobre os preços ao consumidor.

O cenário fiscal também preocupa a entidade. Embora a arrecadação federal deva crescer, o aumento das despesas públicas deve manter as contas do governo no vermelho, elevando o endividamento do país.

Indicadores:

  •     PIB: 2%;
  •     IPCA: de 4,4% para 5%;
  •     Receita líquida federal: 5,8% acima da inflação;
  •     Despesas federais: 4,5% acima da inflação;
  •     Déficit primário em 2026: R$ 55,3 bilhões;
  •     Dívida pública: 82% do PIB.

Indústria

A CNI revisou para cima a expectativa de crescimento da indústria este ano, impulsionada principalmente pela atividade extrativa, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo e menos afetada pelos juros elevados.

Na indústria de transformação, apesar da melhora na projeção, o setor continua pressionado pelo avanço das importações, pelos juros altos e pelo aumento dos custos decorrentes da guerra no Oriente Médio. Apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam crescimento, segundo a entidade.

A construção civil deve ganhar impulso com medidas governamentais voltadas ao crédito habitacional e aos investimentos em infraestrutura.

Projeções:

  •     PIB industrial: de 1,6% para 2,1%;
  •     Indústria extrativa: de 7,8% para 9,1%;
  •     Indústria de transformação: de 0,3% para 0,6%;
  •     Construção civil: de 1,3% para 1,5%.

Agro

A expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, aliada ao crescimento da produção animal, levou a CNI a elevar pela segunda vez consecutiva a projeção para a agropecuária.

Mesmo diante do aumento dos custos de insumos provocado pelo conflito no Oriente Médio, o setor deve apresentar desempenho superior ao previsto anteriormente.

Projeções do agro e serviços:

  •     Agropecuária: de 1,1% para 1,8%;
  •     Serviços: de 2,1% para 1,9%.

O setor de serviços continua sendo sustentado pelo mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação. No entanto, o aumento da inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados reduziram a expectativa de crescimento.

Juros

Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros.

Agora, a previsão é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026.

Projeção para a Selic:

  •     Taxa atual: 14,25% ao ano;
  •     Fim de 2026: de 12,75% para 13,75% ao ano;
  •     Juros reais (acima da inflação) estimados: 9,2%
  •     Juro neutro (que não afeta o PIB) estimado: 5%

Segundo a entidade, caso as projeções se confirmem, a política monetária permanecerá em nível bastante restritivo durante todo o próximo ano.

Cenário externo

No ambiente internacional, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como o principal fator de risco para a economia brasileira. O conflito elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão possa diminuir ao longo do ano diante do aumento esperado da oferta mundial de petróleo.

Outro ponto de atenção é o avanço das importações de bens de consumo, que ocorre em meio à desaceleração da indústria nacional.

Comércio exterior:

  •     Importações de bens de consumo: 16% no primeiro semestre;
  •     Importações totais: US$ 306 bilhões (5,2%);
  •     Exportações: US$ 383,9 bilhões (9,5%);
  •     Superávit da balança comercial: US$ 77,9 bilhões (30,4%).

A entidade ressalta, porém, que esse cenário poderá ser alterado caso avancem as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fator que pode afetar o desempenho das exportações ao longo de 2026.

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